JOSÉ MARILTON DA CRUZ - “CHAPINHA do Samba da Vela”

 

Por Felipe Brito

 

 

           Foi em Mundaú, Distrito de Uruburetama, no Ceará, que nasceu, em fevereiro de 1958, aquele que se tornou uma das maiores referências do samba paulista da atualidade. Ainda criança, de vida simples, Chapinha já deixava claro que sua vocação era ser compositor e sambista, tanto é que sua primeira composição nasceu quando ele estava com cinco anos de idade, intitulada “Folhas que Caem”. Aos oito anos, com o seu primo Abraão, fez sua primeira parceria, nomeada “Linda Rosa”.

 

           Peralta e irreverente desde pueril, José Marilton atormentava o avô Quincas para ligar o rádio, sempre com o desejo de ouvir samba. As melodias e poesias de Pixinguinha, Martinho da Vila, Jair Rodrigues, Clara Nunes e outros sambistas regionais o encantavam. Mais fascinante ainda era a facilidade com que decorava as músicas e se punha a cantarolar.

 

Recém-chegado em São Paulo, já no meio da década de 70, o músico procurou conhecer os principais redutos de samba da Paulicéia para apresentar o sambista nato que ele sempre carregou na alma e no coração.  Na Zona Sul de São Paulo, nas várzeas, à beira dos campos de futebol - como todo sambista, ele deu os primeiros passos no samba.    

 

           Em meados de 1978, Chapinha chegou até a quadra da Escola de Samba Vai-Vai, onde conheceu grandes bambas como Geraldo Filme, Almir Guineto, Osvaldinho da Cuíca, entre outros. Foi aí que resolveu aprofundar seus conhecimentos musicais por meio do estudo.

 

1980 – Chapinha estudou canto no Conservatório Bandeirantes, em Santo Amaro (SP). Neste mesmo ano foi apresentado na Escola de Samba Vai-Vai, na qual sofreu enorme discriminação por ser branco, nordestino e ter olhos verdes.  Esperou quase dois anos para ter uma oportunidade de mostrar o seu trabalho.
         Quando ouviram seus sambas, em 1982, já lhe convidaram para ingressar na ala de compositores, onde permaneceu por mais de 20 anos e chegou a ser presidente. Algum tempo depois pediu afastamento para trabalhar voluntariamente na área social das periferias da Zona Sul da capital paulista. Lá desenvolveu trabalhos musicais e culturais com crianças e jovens.

 

1987 – Participou do CD coletânea "Recado aos Bambas", no qual gravou três faixas, sendo que a faixa título do álbum, uma de suas composições,  foi um dos maiores sucessos do samba em São Paulo, tocada em todos os programas de  rádio destinados ao samba do estado.

 

1996 – Gravou o CD "Criança de Rua", produzido por Mauro Diniz, com participações especiais de Monarco da Portela e Mário Sérgio, ex-Fundo de Quintal. Fez parcerias de composição com grandes nomes do samba como: Wanderley Monteiro, Maurílio de Oliveira, Capri, Paquera, Naio-Denay, Mário Sérgio e outros. Suas composições já foram gravadas por nomes como: Quinteto em Branco e Preto, Grupo Sensação, Grupo Pirraça e Tobias da Vai-Vai.

 

2000 – Criou o Espaço Cultural ZIRIGUIDUM, em SANTO AMARO (Rua Dr. Antonio Bento, 257), onde fundou A COMUNIDADE SAMBA DA VELA, em parceira com Paquera, Maurílio de Oliveira e Magnu Sousá.

 

2003 – Foi vencedor do 1º FESTIVAL DE SAMBA DE QUADRA DE SÃO PAULO, organizado por TOBIAS DA VAI-VAI e pela jornalista CLÁUDIA ALEXANDRE, com a música "Não é Só Garoa" - parceria com Maurílio de Oliveira.

2004 - Recentemente teve seu nome citado no livro "Heranças do Samba" de Aldir Blanc, publicado em 2004.

2005 – Por meio dos Gabinetes dos Deputados Estaduais Vicente Candido e Nivaldo Santana, foi homenageado na ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO ESTADO DE SÃO PAULO, em reconhecimento militância no samba.

 

2008 – Fez a direção artística do projeto “É Tradição e o Samba Continua”, promovido pela Por do Som, que reuniu inúmeros sambistas de São Paulo e as Velhas Guardas Paulistanas.

 

2009 – Chapinha permanece, de maneira ostensiva e intensa, na busca de melhores condições aos artistas da periferia para realizar projetos e apresentações que visem o aprimoramento musical e intelectual da comunidade.  É considerado por muitos o Padrinho das Comunidades de Samba de São Paulo devido aos inúmeros convites que recebe para apadrinhá-las, ato que pra ele é muito honroso, assim como se sentiu honrado ao ser batizado pela madrinha do samba BETH CARVALHO.

 

2010/2011/2012 - Chapinha foi convidado pelo jornalista Chico Pinheiro para fazer parte da “Esquina do Samba”, da TV Globo, como comentarista do desfile do grupo especial do Carnaval de São Paulo.

Ainda em 2010, o “partideiro” fez várias apresentações: Fortaleza (CE), Aquírás (CE), Belo Horizonte (MG), Curitiba (PR), Santos (SP), Sorocaba (SP), Jundiaí (SP), Campinas (SP), Votorantim (SP), entre outras localidades do Estado de São Paulo.

          Em 2012, participou da Virada Cultural junto Mao Palco Samba, no Largo São Francisco, e se apresentou em várias unidades do SESC. Tem trabalhado como produtor e fez direção artística da segunda edição do projeto “É Tradição e o Samba Continua”, também promovido pela Por do Som.

          Atualmente, Chapinha se dedica ao lançamento de seu novo Álbum, “Coisa Comum”, que contará com as participações do rapper Emicida, do sambista Almir Guineto e da sambista e parlamentar Leci Brandão, de quem ele é assessor na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo.